domingo, 22 de maio de 2011

A transição e o aumento da felicidade

Já estou em acompanhamento médico há 2 anos e 2 meses. Já estou a tomar bloqueadores (antiandrogénios) há 7 meses, e a tomar estrogénios há quase 5.
Se há coisa da qual já posso falar é da mudança que tem acontecido a mim a nível de segurança própria, e a nível de felicidade.
(obviamente que não sou eu)

Sem dúvida alguma que já noto diferenças, algumas delas significativas!
Algumas das diferenças:
- a cara obviamente mais feminina, mais redondinha, mais cheia, bonita;
- o acne que entretanto já não tenho;
- o cabelo a crescer mais e mais;
- os pelos a diminuir de intensidade;
- o peito a crescer;
- as ancas e o rabo a ganhar forma;
- as pernas jeitosas.

Todas estas transformações têm contribuído imensamente para a minha felicidade, têm me deixado mais à vontade com o meu corpo e têm-me feito ganhar uma confiança no futuro que eu não tinha.
Por outro lado, a evolução da minha mãe e da minha irmã mais nova (e também da minha irmã mais velha, que está longe, mas que foi a primeira a dar o passo), que já me tratam no feminino, bem como de todas as pessoas conhecidas que vão sabendo da minha situação, também tem sido uma das principais razões para a minha felicidade.

O facto de ser sempre aceite na rua como mulher, e nunca como homem, é importantíssimo. Fico super à vontade, super confiante. Por outro lado, fico sempre nervosíssima e revoltada quando me vejo obrigada a dizer "eu sou um rapaz", quer seja pelos meus documentos, quer seja na escola (onde escondo a minha situação), ou pelo simples facto de achar que nem vale a pena dar explicações naquele momento.


E mais! Agora que estou em contagem decrescente para a mudança da minha vida (estou a terminar o 12º ano, vou para a faculdade), em que já não vou mais ter de fingir ser um homem quando não o sou, só compro roupa feminina.
Finalmente posso comprar tudo aquilo que gosto e antes não podia comprar. Camisolinhas com renda (a minha mãe ri-se imenso de mim, por eu adorar rendas! ahah), soutiens, cuequinhas, pulseiras (e brevemente brincos!), sapatos de salto-alto, bem como uma série de outras coisas.
Se antes eu fugia de espelhos, agora posso passar horas em frente a um.
Agora sinto-me como nunca antes me tinha sentido.


Estou a cada dia mais feliz.
As pessoas que me conheciam antes e me queriam mal, simplesmente já não me reconhecem na rua (1 ou 2 apenas é que conseguem, porque me têm visto sempre).
E os/as amigos/as dos meus pais, e mesmo nossos familiares, elogiam-me! Dizem à minha mãe que estou totalmente diferente, que mudei muito, para melhor!
E mesmo quem não sabe da minha situação diz à minha mãe que tem uma filha "muito bonita" ahah

Basicamente é descoberta... agora que vêem a minha mãe acompanhada por mim, descobrem que afinal ela tinha mais uma filha!

:)

4 comentários:

Dina disse...

Fico tão feliz por ler isto amiguinha! ^^ ***

Andreia on 22 de maio de 2011 às 14:53 disse...

Oh meu amorzinho! :)
Ai o brilho nos meus olhos!*

Giuliana Pazgi on 7 de agosto de 2011 às 23:53 disse...

Ah que linda história, me enche de esperança de ser um dia aceita assim também por todos, principalmente pela minha família. Beijos

Andreia on 8 de agosto de 2011 às 11:35 disse...

Obrigada Giuliana! Tudo pode acontecer, é só manter a esperança de que cada situação melhore.
Beijinho*

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Sou uma Rapariga Transexual, de 17 anos, numa luta pela sua identidade. Sou sensível, afectuosa, desprotegida, mas lutadora. A minha vida é feita de sonhos e esperanças, mas quero acreditar que um dia vou poder viver como qualquer outra pessoa. Quero acreditar que daqui por pouco tempo serei capaz de ME ser, por inteiro!

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